Equinos DF Seminário do Cavalo

Mais de 93% dos estabelecimentos ligados a equídeos no DF são propriedades rurais comuns

Dados mais recentes da Secretaria de Agricultura mostram atividade distribuída para além de haras e hípicas; cenário da equinocultura brasiliense será debatido no Seminário do Cavalo, nos dias 8 e 9 de setembro, na Granja do Torto

A equinocultura no Distrito Federal está presente principalmente fora das estruturas tradicionalmente associadas à criação especializada. Dados de 2026 da Secretaria de Agricultura do Distrito Federal (Seagri-DF) mostram que, entre 3.662 estabelecimentos classificados por tipologia, 3.422 são propriedades rurais comuns, o equivalente a 93,4%. Há ainda 114 haras, 113 alojamentos, oito hípicas, três hospitais e duas unidades militares.

No mesmo ano, a Seagri contabiliza 3.088 cadastros de produtores de equinos, além de 440 de muares e 72 de asininos. Os números revelam uma atividade pulverizada pelo território rural do DF e que vai além de grandes criatórios e centros especializados.

“Essa classificação não significa que os animais de uma propriedade rural comum sejam menos especializados. Um haras está mais diretamente associado à reprodução e à comercialização, enquanto uma propriedade rural comum pode manter poucos cavalos, inclusive animais de alto rendimento, sem que a criação e a venda sejam sua principal atividade econômica”, explica Lydia Costa, organizadora do Seminário do Cavalo.

DF tem mais de 17 mil cavalos

Os dados mais recentes disponíveis sobre o rebanho, referentes a 2025, registram 17.486 equinos, 1.210 muares e 314 asininos, totalizando 19.010 equídeos.

Em 2024, eram 20.147 animais. A comparação aponta uma redução de 5,6% no rebanho total em um ano. Entre os cavalos, a queda foi de aproximadamente 5,8%, de 18.556 para 17.486.

“A variação entre dois anos não permite concluir isoladamente que exista uma tendência de retração, já que o efetivo pode oscilar com a movimentação de animais para reprodução, comercialização e competições”, expica Lydia.

Esporte e lazer se destacam

Dados da Seagri referentes a 2022 ajudam a compreender o perfil da atividade. Naquele levantamento, 38,2% dos equinos classificados por utilização estavam associados a cavalgadas e passeios (6.680), enquanto 26,8% eram destinados ao esporte de alto rendimento (4.679). Juntas, as duas finalidades correspondiam a 65% dos usos declarados.

A reprodução representava 15,4% (2.700 animais), seguida pelo trabalho rural, com 6,9% (1.206), vaquejada, com 6,2% (1.081), e atividade militar, com 2,3% (397). O esporte de alto rendimento reunia, portanto, quase quatro vezes mais cavalos que o trabalho rural.

“O levantamento de utilização é de 2022 e representa um retrato daquele período, mas mostra o peso que esporte e lazer já tinham na equinocultura brasiliense. Quando observamos também os dados atuais sobre as propriedades, percebemos uma cadeia bastante diversa, na qual animais de alta performance podem estar fora dos grandes haras”, afirma Lydia.

Entre os muares, 69,5% (841) estavam associados a cavalgadas e passeios, 28,4% (344) ao trabalho rural e 2,1% (26) à tração urbana. Entre os asininos, 60% (188) estavam relacionados a cavalgadas e passeios e 40% (126) à reprodução.

A especialista ressalta que os números de utilização consideram a autodeclaração dos produtores e não representam um levantamento estatístico específico sobre cada atividade.

Seminário debate cenário da equinocultura

Os dados e os desafios da cadeia estarão no pano de fundo do Seminário do Cavalo, nos dias 8 e 9 de setembro, no Parque Granja do Torto, em Brasília.

Gratuito, o encontro reunirá criadores, atletas, médicos-veterinários, estudantes, proprietários e outros profissionais. A programação abordará bem-estar animal, biomecânica, manejo, nutrição, treinamento, medicina esportiva e longevidade dos equinos atletas, além de oficinas práticas.

“Brasília reúne desde pequenos proprietários até profissionais que trabalham com animais de alta performance. O Seminário busca colocar esses diferentes públicos na mesma conversa, aproximando ciência e experiência prática para avançarmos em conhecimento, bem-estar e qualidade na atividade”, conclui Lydia.

 

Serviço

Seminário do Cavalo

Data: 8 e 9 de setembro de 2026

Local: Parque Granja do Torto – Brasília (DF)

Entrada: gratuita

Doação: contribuição voluntária de ração para cavalos

Programação: palestras, painéis e oficinas práticas sobre bem-estar animal, biomecânica, manejo, nutrição, treinamento, medicina esportiva e equinocultura.

Fonte: Secretaria de Agricultura do Distrito Federal (Seagri-DF). Dados de produtores e estabelecimentos: 2026; rebanho: 2024 e 2025; utilização: 2022.

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